Crónicas do tempo
Sou um cronista do tempo que passa. E dele trago recados que resultam da minha observação imediata do quotidiano. E isto porque a crónica não aceita senão um tempo curto para demonstrar um tempo curto. Ela vai ao encontro de uma situação singular que se inscreve no que é a minha própria vivência escrita. A crónica do instante. Deixo que o tempo trabalhe em mim. Ou seja, movo-me na linha concreta do tempo e faço dos meus escritos um testemunho desse fluir inexorável e das suas convulsões.
Dito de outra maneira: a escrita das crónicas exige a invenção de uma forma breve e sem grande preocupação com a sequência. As crónicas esgotam-se em si mesmas. Mas faço delas um espelho da atualidade. Com a presunção de que estarei a escrever para memória futura. Mesmo sabendo que, escrevendo para jornais de papel, a minha melhor crónica de hoje servirá para embrulhar peixe amanhã…
Mas persisto e insisto em escrever crónicas. Sinto a escrita como um ato de cumplicidade com o leitor. O que aqui escrevo é por minha conta e risco. Não represento nenhuma organização, nenhuma instituição, nenhum partido político. Represento-me a mim próprio na minha condição de escriba amador, mas com uma consciência que julgo ser profissional.
Por conseguinte, as minhas crónicas são episódios breves saídos do dia a dia que me suscitam dúvidas e perplexidades. Escrevo precisamente para captar essas dúvidas e essas perplexidades, e tentar compreendê-las como uma espécie de confronto. Sem obviamente nunca perder de vista os leitores, neste caso os do "Graciosa Digital", de quem tenho recebido o maior e melhor acolhimento ao longo de vários anos. Sou muito grato por isso.
E porque sei que é esse o desejo do dinâmico Luís Costa e de muitos amáveis seguidores deste blogue, vou continuar por aí a espiar o quotidiano e a dar notícia. Acham bem?
Victor Rui Dores


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