O PS/Açores defendeu esta sexta-feira a adoção de medidas concretas para eliminar os constrangimentos que continuam a dificultar o escoamento do pescado da Graciosa, alertando que os problemas enfrentados pelos exportadores resultam de falhas estruturais e não da falta de disponibilidade de quem trabalha diariamente no setor.
Para o deputado José Ávila, as declarações da responsável governamental pelos transportes, que procurou atribuir aos exportadores graciosenses a responsabilidade pelas dificuldades no escoamento do pescado no primeiro voo do dia, revelam um profundo desconhecimento da realidade vivida pelos profissionais da ilha.
“Os horários não deixam margem para dúvidas. Entre a abertura da lota, que ocorre pelas 6H15, a realização do leilão, a entrega do pescado, o transporte para os armazéns e o embalamento, o produto apenas fica pronto por volta das 8H45. Sendo o voo realizado cerca das 9H00, é evidente que não existe tempo suficiente para cumprir todo o processo”, afirmou.
O parlamentar socialista falava após um encontro com comerciantes da Graciosa, promovido com o objetivo de apurar os constrangimentos sentidos pelo setor na exportação de pescado.
José Ávila alertou ainda para falhas no funcionamento do leilão, onde os compradores não conseguem visualizar adequadamente o pescado destinado à exportação, quer presencialmente, quer através de fotografia, sendo frequentemente obrigados a adquirir produto sem conhecer com rigor as suas características.
Segundo o deputado, esta situação levanta legítimas dúvidas sobre a qualidade do serviço prestado pela Lotaçor, uma vez que “continuam a existir limitações significativas no funcionamento do mercado, apesar de serem cobrados os serviços na totalidade”.
O socialista apontou igualmente dificuldades recorrentes no transporte aéreo para Lisboa, referindo que o pescado acaba frequentemente por não seguir viagem devido a questões relacionadas com os prazos de entrega da carga, apesar de a companhia aérea ter conhecimento prévio da sua existência.
“Esta falta de articulação penaliza diretamente os operadores, que veem o seu produto perder valor por razões que lhes são completamente alheias”, sublinhou.
José Ávila recordou ainda que a Graciosa continua a ser a única ilha dos Açores sem um entreposto frigorífico, situação que limita a capacidade de conservação e gestão do pescado e reduz a competitividade do setor.
Para o deputado socialista, o caminho passa pela adequação dos horários dos voos à cadeia operacional do pescado, pela melhoria dos serviços prestados através da instalação de uma passadeira de leilão, por uma melhor articulação no transporte aéreo e por investimento urgente em infraestruturas, como a concretização do prometido entreposto frigorífico para a ilha.
“Culpar os exportadores não resolve o problema, contribui apenas para o seu agravamento. O que a Graciosa precisa é de soluções que respondam às dificuldades reais de quem trabalha e cria riqueza na ilha”, concluiu.
Fonte: PS Açores

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