GASTROENTERITE | Autoridade de Saúde confirma presença do vírus em oito ilhas




COMUNICADO 



Gastroenterite aguda na Região Autónoma dos Açores: ponto de situação e medidas para os próximos dias


A Autoridade de Saúde Regional informa a população e os órgãos de comunicação social sobre a evolução do aumento de casos de gastroenterite aguda (vómitos e/ou diarreia) que tem sido acompanhado na Região Autónoma dos Açores ao longo de Agosto, e sobre as medidas que os Delegados de Saúde estão a aplicar nos próximos dias.

Há mais casos de vómitos e diarreia do que é habitual, em várias ilhas.

Quase todos os doentes melhoram em casa, em 1 a 3 dias.

A transmissão faz-se sobretudo de pessoa a pessoa — pelo que se deve lavar bem as mãos e não se deve preparar comida para os outros enquanto se está doente. Muito importante: só se deve regressar ao trabalho ou 48 horas depois da última dejecção ou vómito.

Até dia 26 de Agosto constatou-se, na vigilância regional, um acréscimo acima do expectável de episódios compatíveis com gastroenterite aguda, distribuídos por várias ilhas e ao longo de várias semanas — não se trata de um único foco, nem de um único dia.

O quadro é o de um excesso multi-ilha, com picos desfasados no tempo.

Em laboratório foi identificado Norovírus (grupos GI e GII) em São Miguel e no Faial, confirmando a principal suspeita da Coordenação Regional de Saúde Pública e da Direção Regional, desde que o alerta nos chegou.

O Norovírus é um vírus frequente no Verão e no regresso das férias: provoca vómitos e diarreia agudos, é muito contagioso, e na grande maioria das pessoas resolve-se sem internamento.

Em Ponta Delgada há também identificação pontual de bactérias intestinais (Salmonella e Campylobacter), o que reforça a necessidade de higiene alimentar, sem alterar a leitura geral da situação.

Há sinais favoráveis que importa sublinhar.

No Faial — a ilha onde o aumento começou mais cedo — a transmissão está em descida: o número de reprodução efectivo (Rt) está abaixo de 1, desde 19 de Agosto.

Nas Flores, depois de um rebote a 23 de Agosto, os números diários têm vindo a cair, de forma sustentada.

Na Terceira, o volume diário no Hospital de Santo Espírito e na Praia da Vitória também já desceu em relação ao pico desta semana.

O Corvo mantém-se sem casos.

A maior parte das pessoas atendidas não precisa de internamento.

A vigilância continua activa em todos os concelhos.

O alerta técnico ainda está ligado em várias unidades de saúde, precisamente para que a descida seja acompanhada de perto e para que um rebote — que é sempre possível, enquanto houver transmissão de pessoa a pessoa — seja detectado no próprio dia.

Ficar em casa com vómitos ou diarreia, e só regressar 48 horas depois do último episódio, mais do que uma regra clara é uma questão de bom-senso, nestas circunstâncias.



Contacto com quem é mais vulnerável.

Os Delegados de Saúde têm contactado lares (ERPI), unidades de cuidados continuados, creches e infantários do seu concelho. O objectivo é o mesmo: exclusão de 48 horas de profissionais e utentes sintomáticos, higiene das mãos e das superfícies, e um canal directo com a delegação de saúde se aparecer um agregado de casos.



Restauração e eventos.

Mantém-se a exclusão de 48 horas de manipuladores de alimentos com vómitos ou diarreia. Onde houver um agrupamento de casos ligado a uma refeição comum, o Delegado de Saúde actua no local e reporta à CRSP.



Vigilância diária.

Há uma articulação permanente, e um fluxo de comunicações diário, entre delegados de saúde e a Autoridade Regional de Saúde, permitindo uma monitorização permanente e um ajuste de medidas, na hora.



O que cada pessoa pode fazer hoje

Lavar as mãos com água e sabão, depois de ir à casa de banho e antes de preparar alimentos.

Não cozinhar para a família ou para o restaurante enquanto tiver vómitos ou diarreia.

E ficar em casa, nessas circunstâncias.

Regressar ao trabalho só 48 horas depois da última dejecção ou do último vómito.

Beber água ou soro de hidratação oral, sobretudo crianças e pessoas idosas.

Procurar o serviço de saúde se houver sangue nas dejecções, prostração, desidratação ou agravamento em alguém com doença crónica.

Pedimos a todos que se mantenha o tom proporcional ao impacto clínico da situação: estamos perante um aumento real, que está a ser seguido todos os dias, e a grande maioria dos casos é ligeiro e autolimitado. O contacto com o SRS, nestas circunstâncias deve ser inicialmente através da Linha Saúde Açores.



Angra do Heroísmo, 28 de Agosto de 2026

A Autoridade Regional de Saúde



















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