EFEMÉRIDE | Acidente aéreo registado na Graciosa foi há 97 anos




O único acidente aéreo registado na Graciosa foi há 97 anos, no dia 13 de julho de 1929, do qual resultou a morte do Major Piloto Aviador polaco Ludwik Idzikowski (1891-1929), pioneiro nas tentativas de atravessar o Atlântico entre a Europa e a América do Norte.

O avião do Governo da Polónia era uma versão de longo curso do bombardeiro Amiot 123 preparado para voos longos sem reabastecimento, sendo navegador Kazimierz Kubala (1893-1976).

A primeira tentativa de voo transatlântico iniciou-se na madrugada de 3 de Agosto de 1928 mas, devido a problemas mecânicos, o avião teve de amarar a 70 milhas náuticas da cidade do Porto.

Para a sua segunda tentativa, descolaram às 3:45 hora da madrugada do dia 13 de Julho de 1929, novamente do campo de Le Bourget. Depois de terem voado 2 140 km, já sobre o Atlântico Norte central, por volta da 17:00 horas, o motor começou a perder rotações e a emitir ruídos e vibrações anormais. Decidiram então aterrar na ilha do Faial, em cujas proximidades estariam. Iniciaram então a aproximação à ilha, com bom tempo, mas visibilidade reduzida.

Já quando anoitecia, por volta das 21:00 horas (19:00 horas locais), a situação piorou e Idzikowski decidiu fazer uma aterragem de emergência o mais próximo de terra que lhe fosse possível. Depois de terem sobrevoado por diversas vezes a ilha Graciosa, a maioria do tempo entre nuvens, optaram por aterrar num campo junto ao lugar da Brasileira, na freguesia do Guadalupe, na zona central da ilha. Estando já a anoitecer, o local escolhido foi inadequado, já que um conjunto de muros de pedra solta, alguns deles escondendo desníveis de mais de um metro, constituíam obstáculos que o avião dificilmente poderia atravessar. Em resultado, o avião embateu num dos muros e capotou, ficando com os rodados para o ar.





Na colisão Idzikowski ficou gravemente ferido e encarcerado nos destroços do avião enquanto Kubala sofreu apenas ferimentos ligeiros, saindo dos destroços pelos seus próprios meios. A população local, então empenhada na ceifa e debulha do trigo, tinha visto o avião circundar a ilha várias vezes e apercebeu-se do acidente. Acorreram então em socorro dos pilotos, mas no processo de tentar desencarcerar Idzikowski, já noite escura, trouxeram um archote, o qual incendiou o avião, incinerando o piloto.

O corpo de Idzikowski foi levado para a antiga Igreja do Convento de São Francisco, em Santa Cruz da Graciosa, onde aguardou a chegada do veleiro ORP Iskra, da marinha de guerra polaca, que o transportou para a Polónia. Foi sepultado com honras de Estado a 17 de Agosto de 1929, em Varsóvia.





Na Graciosa, junto ao local onde ocorreu o acidente, nas proximidades da Brasileira, um cruzeiro, construído em 1939 com parte dos destroços, e uma lápide também o recordam.














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